Luto e Infertilidade na Adoção

A descoberta da infertilidade carrega consigo um estado de profundo sofrimento para o casal e um sentimento de perda para a mulher, visto que ao longo da história a maternidade vem sendo associada à conquista de um ideal feminino, colocando a mulher em um estado de completude e de manifestação da feminilidade.

Muitos pretendentes à adoção, antes de defrontar esta possibilidade, procuram diversos tratamentos médicos e findam todos os recursos existentes. Os casais ou pessoas solteiras com melhores condições financeiras costumam recorrer mais vezes às alternativas de tratamentos para gravidez, isto porque, aparentemente, o status da família biológica supera o sofrimento e os esforços inerentes a estes métodos.
Pesquisas apontam a necessidade dos pretendentes à adoção elaborarem o luto pelo filho biológico que não puderam gerar; este luto é diferente para cada um e tem relação com a singularidade dos seus desejos. Reconhecer a infertilidade é uma experiência potencialmente estressante, geradora de grande sobrecarga emocional.

Para Amato e Santos (2006) , aceitar a condição de pais adotivos implica elaborar uma série de fantasias, crenças, valores, desejos e expectativas com relação à parentalidade. Esse processo de elaboração irá refletir na maneira como os futuros pais irão construir seu lugar e encarar sua nova família: se haverão de tentar reproduzir o modelo de família biológica, por meio de um processo de identificação com a criança calcado na busca de semelhanças físicas e do apagamento da origem do filho adotivo, ou se outras soluções serão encontradas para inserir a criança no imaginário parental, que permitam a elaboração do luto pelo filho não-nascido das próprias entranhas, mas concebido simbolicamente e adotado pelos laços de ternura.

A escritora Paiva evidencia que a adoção pode ser vivenciada como uma substituição de uma falta e até mesmo para minimizar ou apagar a marca do insucesso relativo ao filho biológico, no entanto ressalta-se que a adoção não isentará o casal dos conflitos ligados ao não conseguir gerar um filho, sendo que este é um processo complexo e determinado pela subjetividade de cada indivíduo.

Tatiany Schiavinato
Psicóloga CRP 06/131048
www.adocaoempauta.com.br

2 Comentários

  1. diogenes disse:

    Adorei seu site. Conteudo de muita qualidade. Abraço

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