ADOÇÃO POR CARIDADE E CONSEQUÊNCIAS

adoção por caridade

Adoção por caridade, como soa isso pra você ?

Você já deve ter ouvido alguém comentar.. ” que linda atitude essa, você adotar essa criança…”, ” você vai para o céu”!

Não.. Adoção não é caridade !!!

Muitas são as motivações que levam as pessoas a quererem adotar uma criança ou um adolescente, e um dos motivos ainda vistos é querer ajudar uma criança abandonada, uma criança em sofrimento. Há muitas maneiras de ajudar as pessoas, sabemos, contudo querer adotar simplesmente para tirar alguém do abrigo, para livrar uma criança de uma situação ruim e fazer caridade pode criar consequências sérias para a família como um todo e principalmente para a criança.

Uma criança que espera pela adoção em uma instituição de acolhimento muitas vezes já é ajudada por voluntários, empresas e pela própria comunidade.  Ajuda esta que vem normalmente em forma de presentes, roupas, sapatos, visitas, etc.

Mas o que realmente uma criança necessita? 

Ela precisa e deseja é de uma família, seja ela feita de pai e mãe, só de pai, só de mãe, de dois pais ou duas mães. Uma criança necessita de educação e afeto, de limites, de acolhimento, de pertencimento, de um lugar para chamar de seu, não de pessoas que a salvarão da miséria e que ela precisará ser grata para o resto de sua vida. A criança quando precisa ser grata o tempo todo sente proibida de ser ela mesma, não pode fazer birra, não pode testar, provocar e crianças fazem isso !

No Brasil, nossas leis referentes à adoção seguem evoluindo, porém, com o intuito de agilizar os processos, juízes tomam decisões impensadas muitas vezes e crianças vão para lares sem preparação, pretendentes acolhem crianças que não eram o seu perfil simplesmente porque “foram empurrados”. Em meu consultório já recebi casos de pais que adotaram dois meninos maiores de 5 anos, pois a gerente do abrigo os pediu para que eles não fossem separados, não fossem adotados separadamente. Esses pais eram voluntários do abrigo, o homem já tinha vínculos com as crianças, mas sua esposa só acatou sua vontade, adotando assim para “ajudar” as crianças. O resultado? Vínculos enfraquecidos, sofrimento por parte das crianças que percebem que essa mãe não os queria.

Dessa forma, cabe ressaltar cada vez mais a importância da reflexão e preparação psicológica para esse momento tão importante e único, que não tem volta, que é a maternidade e paternidade. Os vínculos são construídos, o modo de se educar pode ser aprendido, revisto, mas adotar, pegar pra si aquela criança é uma escolha.  Cabe a reflexão aqui até que ponto a adoção por altruísmo e caridade é uma boa escolha. Devoluções ainda acontecem no Brasil, o que é inadmissível com tantos recursos para uma boa preparação antes e pós adoção. Antes de chegar ao ponto de devolução, peça ajuda!!! Em outro artigo, escrevo sobre devolução, para acessar é só clicar aqui!

Como sempre enfatizo, se conhecer nesse momento é fundamental. Saber dos limites, fragilidades e olhar para sonhos e medos. A psicoterapia individual ou de casal pode ajudar muito nesse processo todo, e garantir que essas escolhas sejam feitas da melhor maneira possível.

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Texto publicado primeiramente em Gravidez Invizível

Com carinho,

Tatiany Schiavinato

Psicóloga. CRP 06/131048

Atendimentos especializados em famílias, casais e casos de adoção.

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